História

A pequena aldeia foi ocupada pelos romanos, fazendo de Portus Cale uma parada obrigatória na rota entre Braga e Lisboa.

No ano 456, foi tomada pelo rei visigodo Teodorico II. Os visigodos governaram a cidade até o ano 716, quando foi conquistada pelos árabes.

Os árabes permaneceram no Porto até que a cidade foi reconquistada pelo rei Afonso I de Astúrias. Depois da reconquista, foi quase abandonada até que, em 880, o último rei asturiano Afonso III, o Magno, ordenou que fosse repovoada.

Em 1096, o rei Afonso VI de Castela e Leão casou sua filha Teresa com Henrique de Borgonha e lhes concedeu um condado: o “Condado Portulacense”, com capital no Porto.

O Coração de D. Pedro IV

D. Pedro IV ficou na memória dos portuenses como símbolo de liberdade, patriotismo e força de vontade que, desde sempre, moveu a Cidade e os seus habitantes. A participação e o grande envolvimento da Invicta nas lutas liberais (1832-1833), sensibilizou particularmente o monarca.

Entre o Verão de 1832 -1833, a cidade sofreu enormes privações. Um ano de destruição física e moral que terá sido reconhecido, pelo Rei Soldado.

A grande empatia e gratidão que sentia pelo Porto, leva-o, logo após a vitória liberal, a honrar a cidade com a sua visita. O período de permanência na urbe (26 de Julho a 6 de Agosto) foi preenchido por diversas cerimónias civis, religiosas e militares. Destaca-se a entrega das chaves da Cidade, pelo presidente da Câmara, à Rainha. A cerimónia terminava com uma oração de graças e um "Te Deum", na Igreja da Lapa.

É também nesta Igreja que, em 1835, por vontade testamental, o seu coração foi depositado. 

Em 14 de Janeiro de 1837, um decreto redigido por Almeida Garrett e assinado pela rainha D. Maria II, adicionava novos elementos às Armas do Porto.

Este acontecimento determinava que "as armas sejam esquarteladas com as do reino e tenham ao centro, num escudete de púrpura o coração de oiro de D.Pedro, sobrepojadas por uma coroa de duque, tendo por timbre o "Dragão negro das antigas Armas dos senhores Reis destes reinos", e junte aos seus títulos o de Invicta."

Foi este o último sinal de reconhecimento do monarca pelo esforço dos portuenses, ao serviço do país.

Origens Remotas

A ocupação humana da região do Porto tem centenas de milhares de anos e remonta à pré-história, o que tem vindo a ser comprovado quer por achados avulsos de utensílios em pedra, quer pelos resultados de diversas intervenções arqueológicas recentes.

À arqueologia se deve também, em particular nas últimas décadas, a descoberta de vestígios seguros de povoamento estável e concentrado a partir dos finais da Idade do Bronze e ao longo da Idade do Ferro (primeiro milénio antes de Cristo), documentando-se já muito bem o castro que existiu no morro da Sé.

Esse primitivo núcleo urbano foi sendo alargado para as margens do rio Douro pelo menos desde a época da ocupação romana, a partir do século I a.C. Nos séculos seguintes, provavelmente potenciado pelo comércio a larga escala e pela importância do vizinho núcleo mineiro das serras de Santa Justa, Pias, Banjas e outras, o povoado ampliou-se e aumentou a sua população.

Os testemunhos arqueológicos desta época da vida da cidade são muito numerosos, podendo observar-se por exemplo nas importantes ruínas do arqueossítio da rua D. Hugo, nº 5, com vestígios da Idade do Ferro, período romano, ou na Casa do Infante, onde foi encontrada uma casa romana do século IV com vários compartimentos pavimentados com mosaicos. Por essa época, toda a região portuense era palco de uma ativa vida económica e outros núcleos de povoamento tinham-se estabelecido em vários locais do atual concelho do Porto, desde Campanhã à Foz do Douro, bem como na margem esquerda do rio, em Vila Nova de Gaia.

Nos começos do século V, com a fragmentação do Império Romano e a instalação na península ibérica de vários povos oriundos das regiões do centro-leste da Europa, a região do Porto fica na dependência do primeiro reino independente criado na Europa ocidental após a queda do Império, o reino suevo (411-585). Embora a sua principal capital tenha sido em Braga, há informações que vários episódios políticos e militares ocorreram em Portucale (nome que a cidade tinha então), e duas raras moedas em prata de um dos reis suevos, Requiário, foram também encontradas nas escavações da Casa do Infante.

Entretanto, Portucale torna-se também sede episcopal e depois de finais do século VI, quando o reino visigodo conquista e absorve a monarquia sueva, a cidade funciona também como centro emissor de moeda para vários reis visigodos. Não obstante ter estado envolvida em vários conflitos internos desde o período suevo, a região deverá ter mantido uma população estável. As suas muralhas, reconstruídas pelo menos nos finais dos tempos romanos, mantinham-se de pé e com o avanço da cristianização novos templos iam sendo fundados, como terá acontecido pelo menos com a igreja de Cedofeita.

No ano de 711 exércitos muçulmanos vindos do norte de África desembarcam na península e no processo de conquista que avança para norte em poucos anos chegam à região do Porto, substituindo o domínio visigodo. A história de Burtucal (como aparece em algumas fontes árabes) ao longo dos séculos VIII e IX é pouco conhecida, mas não razões para crer na fixação de significativas populações muçulmanas ou mesmo devastações significativas, pelo que as comunidades locais terão seguido nas suas ocupações, perturbadas apenas pontualmente por algumas razias suscitadas pelo saque ou por ataques dos viquingues, que por meados do século IX começam a assolar a costa atlântica. Nesta época, a cidade seria governada por Sa'dun al-Surunbaqi, um muladí (cristão islamizado) afeto a um rebelde muçulmano. No ano de 868, no quadro da expansão para sul da monarquia astur-leonesa, a cidade é tomada por Vímara Peres, que se torna o primeiro «conde» da região portucalense.

O Cerco do Porto

Ainda D. João VI era vivo, e D. Miguel encabeça dois golpes de estado: a Vila Francada e a Abrilada. Os intentos são malogrados e D. Miguel é forçado ao exílio. 

Em 1826, D. Pedro IV, outorga a Carta Constitucional, e os miguelistas insatisfeitos, contribuem para lançar o país numa guerra civil.

Em 1828, D. Miguel chega ao poder. O Porto revolta-se imediatamente. As revoltas liberais sucedem-se, mas só com a adesão de D. Pedro ao movimento, este ganha verdadeira consistência.
A 8 de Julho de 1832, D. Pedro desembarca em Pampelido, para tomar a cidade do Porto. A população simpatiza com os liberais. Os confrontos entre absolutistas e liberais duraram dois anos deixando a cidade completamente arruinada. Foram tempos de horror e carnificina. A peste, a fome e a guerra provocam horríveis destroços nos habitantes do Porto. O cerco termina com a vitória dos liberais e a aclamação de D. Maria II, como Rainha de Portugal.

O rescaldo da guerra foi lento e penoso. Politicamente, a instabilidade reinava. O Setembrismo, obra de Passos Manuel, foi um dos movimentos da época. A Passos Manuel deve-se a criação da Academia Politécnica, da Academia de Belas-Artes e a Escola Médico-Cirúrgica do Porto. O movimento que se opunha ao Setembrismo era o Cartismo. Até meados do século XIX a luta política será entre as duas facções. No Cartismo a principal figura era Costa Cabral. 

Cabral optou por um estilo de governação autoritário. A medida de proibir o enterro nas igrejas despoletou uma enorme revolta popular, primeiramente organizada por mulheres. Nasceu a guerra civil chamada Maria da Fonte ou Patuleia. Mais uma vez, a zona norte, nomeadamente o Porto, foi o rastilho desta revolução que terminou com a queda de Costa Cabral.